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Construída nos princípios do séc. XVIII é, todavia, de grande simplicidade.

Na fachada principal abre-se, a meio, a porta, emoldurada e rematada, superiormente, por um frontão circular partido. No mesmo enfiamento e por cima desta, um janelão, também rematado, superiormente, por frontão circular. No tímpano, em amplo frontão triangular, fixa-se um brasão, bipartido, com as armas de S. Francisco e Chagas e de Santa Catarina, dentro de uma cartela rematada por uma coroa fechada. Nos extremos da cornija duas urnas e, ao centro, uma cruz de pedra.

Separada por uma pilastra, à esquerda, ergue-se a torre sineira, em dois andares; o primeiro tem uma porta, ao centro, com uma pequena janela no seu enfiamento e, no segundo, quatro janelas sineiras rematadas por um varandim, com pirâmides aos cantos. A cúpula é rematada por uma cruz de ferro.

A capela tem dois corpos, sendo o segundo mais baixo, e sofreu obras de ampliação e restauro que modificaram o estilo original, em 1801.

Já no séc. XX (1929), todo o exterior foi revestido de azulejos representando passos da vida de S. Francisco de Assis e de Santa Catarina, venerados na dita capela. É curioso que o autor dos azulejos, Eduardo Leite, misturou cenas da vida de Santa Catarina de Sienna com a de Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir; isso é flagrante na fachada principal. Estes foram executados na fábrica «Viúva Lamego», em Lisboa. Em 1982 foram objecto de recuperação.

O altar-mor e os altares da nave são de estilo neo-clássico. Estes são dedicados a S. João e a Nossa Senhora da Conceição, respectivamente o primeiro e o segundo, à esquerda, e a Nossa Senhora de Fátima, Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora das Dores, respectivamente o primeiro, segundo e terceiro, à direita.

O painel do altar-mor é da autoria do pintor Joaquim Rafael e representa a Ascensão do Senhor.

Em plinto, junto ao altar-mor, a imagem do Senhor Ressuscitado.

A nave tem rodapé de azulejos figurativos, em azul e branco.

À esquerda, à entrada, tem um painel de azulejos representando a imposição das Chagas a S. Francisco e, à direita, as Almas e S. Francisco e Santa Catarina, também da autoria de Eduardo Leite.

No janelão da fachada principal há um vitral, da autoria do pintor Amândio Silva, representando as almas (terceiro quartel do séc. XX). A imagem de Nossa Senhora das Almas é ainda do séc. XVIII, enquanto as outras são modernas.
Rua Sta. Catarina, 428
4000-444 Porto
+351 222 005 765
Metro: Linhas A, B C e E
Missas:
Sábado 18.30
Domingo 8.00/ 9.00/ 10.00/ 11.00/ 12.00/ 18.30







Começou a ser construída em 1795, em estilo clássico, e ficou concluída no ano de 1878.

O projecto da autoria do engenheiro Carlos Amarante, foi alterado, particularmente na sacristia e no retábulo da capela-mor.

Interior

O templo tem uma só nave, relativamente alta, com abóbada de berço, cingida por dez arcos torais.

Na capela existe um quadro comemorativo da catástrofe da Ponte das Barcas.

Possui uma pintura antiga da escola alemã, de apreciável valor, representando Nª Sª da Divina Providência.

Também famoso é o seu Presépio.
Rua das Taipas
4000 Porto





São Bom Homen Nossa Senhora de Agosto foram os padroeiros e protectores da Confraria dos Alfaiates e a imagem da primeira era, no início do século XVI, venerada no primeiro andar de uma casa junto à Sé cujo piso térreo servia de celeiro do Cabido. Em 1554, porém, iniciou-se a construção de uma nova capela frente à fachada principal da Sé, em edifício cedido à Confraria pelo bispo D. Rodrigo Pinheiro. Onze anos depois, em 1565, só às paredes tinham sido levantadas e, com o empenho do prelado, o mestre pedreiro Manuel Luís contratou com a Irmandade a conclusão do templo.

A capela, de planta rectangular, abre para o exterior por um portal ladeado por duas colunas coríntias caneladas asssentes em pedestrais, e rematado por um nicho com decoração flamenga, desenhado por Manuel Luís, em que se abriga uma imagem de barro de Nossa Senhora de Agosto. No interior do templo, iluminado pelo grande janelão rasgado na fachada, a abóbada elevada sobre o espaço quadrado da nave é de cruzaria tardo-gótica, mas mostra já motivos ornamentais maneiristas. Um arco cruzeiro de volta-redonda, assente em pilastras jónicas, separa a nave da capela-mor, e esta é coberta por uma pequena abóbada de canhão, com dois tramos formados por caixotões de granito que arrancam de mísulas clássicas. Este conjunto, projectado e executado por Manuel Luís, é da maior importância na arquitectura do norte do país, pois marca a transição do tardo-gótico para as novas formulações maneiristas de inspiração flamenga.

O retábulo da capela-mor, também maneirista, divide-se em oito painéis que representam cenas da vida da Virgem e, iconograficamente, repeitam as prescrições do Concílio de Trento divulgadas em Portugal, sobretudo a partir de 1580, através das Constituições Sinodais. As pinturas são atribuídas, entre outros, a Francisco Correia, tendo sido executadas provavelmente entre 1590 e 1600. Ao centro, a bela imagem calcária de Nossa Senhora de Agosto, mais antiga, mostra influências da imaginária norte-europeia. A imagem em madeira de S. Bom Homen (século XVII), padroeiro dos Alfaiates, está colocada à direita do Altar-Mor.

A capela teve, em 1853, obras de beneficiação promovidas pela Associação dos Alfaiates e, em 1935, devido às obras de demolição programadas para a abertura do terreiro da Sé, foi expropriada pela Câmara. Em 1953 foi reedificada na sua actual implantação e pela mesma época foram restaurados os painéis pelo pintor Abel de Moura. É Monumento Nacional desde 1927.
Ângulo das Ruas do Sol e S. Luís
4000 Porto
+351 919 396 297
Segunda a sábado 14.00-17.00
Funicular dos Guindais
Missa de festa N. Sra de Agosto: 15 de Agosto
Missa de Festa de Sta Catarina: dia 25 de Novembro ou domingo seguinte

Confraria de Nossa Senhora de Agosto e São Bom Homem







A Irmandade de Nossa Senhora da Lapa foi instituída em 1755 pelo Papa Benedito XIV. No ano seguinte assiste-se à fundação da Igreja actual, cuja primeira pedra foi lançada em 17 de Julho, edifício que viria a substituir uma capela que se revelara incapaz para acolher os devotos que aí acorriam.
Em planta o conjunto da igreja forma um rectângulo, de uma só nave, com capela-mor demarcada por arco triunfal, e sistema de cobertura abobadado partilhado nas duas zonas. Das três portas da fachada, as laterais conduzem a dois amplos corredores, que acompanham todo o espaço sacro no sentido do comprimento, sendo o corredor da direita o espaço que faz a articulação com sacristia e Casa da Irmandade.
É uma igreja que apesar dos compromissos plurais presentes desde a sua fundação - conciliação das vontades dos Irmãos; de projectos fornecidos por arquitectos diversos; e programas decorativos de pedra e de madeira - consegue ajustar positivamente essas tendências.
Note-se ainda o tempo prolongado que demorou a construção da igreja, enquanto na cidade do Porto novas procuras estéticas se ensaiavam, clima esse sentido também na igreja da Lapa.
Se em 1779 se realiza a dedicação do templo na festa da Padroeira, só em 1855-63, a fachada ficaria concluída com construção das duas torres.
Artisticamente espraia-se entre o rococó e o neoclássico.
Um primeiro risco foi apresentado pelo pintor João Glama Stroberle, que seria complementado por Gonçalo Pereira. Entretanto porque as propostas não reunissem o consenso dos Irmãos, e já com a obra em curso, pedem novo risco a José de Figueiredo Seixas, que se assume responsável pela construção até 1773, data da sua morte.

O programa arquitectónico, no interior, revela claramente o traço de José de Figueiredo Seixas, como um artista enfeudado ao vocabulário rococó evidente na decoração pétrea sobre as portas, janelas, e arco triunfal. Os alçados da nave, ritmados por pilastras, são compostos por quatro tramos, cada um dos quais define arco de volta redonda para retábulo, na parte inferior, e por cima uma ampla janela/tribuna que mergulha a nave em luz. A meio da nave, de um e outro lado, os púlpitos, enquadrados por frontão invertido com decoração rocaille. Os púlpitos foram também desenhados por este artista. Na capela-mor mantem-se esta correspondência entre aberturas inferiores e superiores, aqui entre portas e janelas.
A fachada articula-se em dois pisos rematados por frontão triangular, e sobre este as estátuas de Raquel, Judite, Ester e Sara. O inferior de gosto rocaille, e o superior resultante de um compromisso entre esta expressão artística e o neoclássico. Dissonante na fachada é a altura das duas torres laterais, situação que o seu autor, em 1850, - o arquitecto José Luís Nogueira Júnior - tentou corrigir não encontrando a anuência da Irmandade.
Do conjunto dos nove retábulos que a igreja encerra, todos de traça neoclássica, merece referência especial o imponente retábulo-mor ideado pelo escultor Simão de Brito e executado pelo entalhador Manuel Moreira da Silva, encontrando-se concluído em 1806. Na base do trono, uma bela imagem de Nossa Senhora da Lapa do século XVIII, que segue a forma iconográfica usual neste tipo de representações. A boca da tribuna fecha-se com um painel com o tema da Adoração dos Pastores, da autoria de Joaquim Rafael (1783-1864), sendo este o maior painel da cidade do Porto (12 x 5,70 metros).
Na capela-mor guarda-se em mausoléu granítico, o coração de D. Pedro IV oferecido à cidade pela viúva a Imperatriz D. Amélia de Beauharnais, cumprindo o desejo do marido. No coro alto foi colocado em 1995 um orgão de tubos, da autoria do Mestre-organeiro alemão Georg Jann, cujo desenho da caixa se enquadra no clima artístico da igreja, e fazendo ganhar relevo o vitral da fachada que representa a Adoração dos Pastores, executado em Lisboa em 1931 por Ricardo Leone.
Largo da Lapa
4050-069 Porto
+351 222 001 369
+351 222 085 680
Segunda a sábado
08.00-12.00/ 14.30-17.00
Domingo
08.00-14.00
Metro: A, B ,C e E

Missas:
Sábado 19.30
Domingo: 09.00/ 10.00/ 11.00/ 12.00/ 13.00/ 18.15/ 19.30

GPS 41º 09' 25.6'' N 08º 36' 41.7'' W







A Misericórdia do Porto foi criada no início do século XVI, com o patrocínio régio de D. Manuel. Até 1550 a sede funcionou provisoriamente na Sé do Porto, data em que transferem os seus serviços para instalações próprias na Rua das Flores, então Rua de Santa Catarina das Flores. Em terrenos doados, a Misericódia edificou Casa de Despacho, igreja, sacristia e outras dependências anexas.
A actual igreja resulta de um compromisso entre o templo edificado em finais do século XVI início do século XVII, e sua reconstrução a partir de 1748 segundo proposta do pintor-arquitecto Nicolau Nasoni, ou seja entre o maneirismo e o barroco.
A primitiva igreja possuia fachada recuada relativamente à rua, espaço esse que seria tomado para construção da nova fachada e coro, nas obras de reedificação do século XVIII.
O risco da igreja saiu do punho de mestre Manuel Luís, sendo de base segura a capela-mor e atribuída a nave. Em 13 de Dezembro de 1559 já a nave era benzida, enquanto que a capela-mor só em 1590 estaria concluída. No século seguinte, em 1623 e 1637 constroem-se as duas capelas laterais.
A queda de um fecho da abóbada em 1748 ocasionou a transformação do templo, demolindo-se a abóbada primitiva em pedra, e construindo-se a actual em tijolo coberto de estuque de belo desenho decorativo, e ainda a nova fachada e o coro.

A igreja é de uma só nave, com capela-mor de um tramo rectangular fechado em ábside, demarcada por imponente arco triunfal, e coro sobre a porta principal. Na capela-mor, com cobertura abóbadada em volta perfeita e quarto de laranja, salientam-se os caixotões rectangulares e trapezoidais com decoração volumosa de cariz geometrizante - bem ao sabor da linguagem maneirista. Os seus alçados articulam-se em dois andares sobrepostos. No inferior, o ritmo é marcado por uma sequência de colunas jónicas, formando nicho o intercolúnio dos dois primeiros tramos de cada lado. Aí foram colocadas as imagens dos Evangelistas, realizadas em Lisboa em 1597. A mesma correspondência segue o andar superior, onde as colunas são da ordem coríntia, e em vez de nichos temos frestas. Atente-se ainda, no uso de colunas emparelhadas, influência directa da tratadística maneirista. No imponente arco cruzeiro um jogo de frontão duplo assente em colunas coríntias. Sobre este, e em ritmo frenético, grinaldas, florões e outros motivos vegetalistas ideados por Nasoni, estabelecem a relação estética entre os séculos XVI e XVIII. Esse ritmo é continuado lateralmente sobre o entablamento.
O maior requinte artístico nasoniano encontra-se na linha recortada do arco do coro.
A fachada desenvolve-se em dois andares, com igual número de vãos em cada qual: a três portais de arco redondo corresponde igual número de janelas, altas e recortadas, no segundo nível. Este acrescento à velha igreja quinhentista, formou uma galilé abóbadada, que lhe ocupou o pequeno adro. Toda a linguagem cara a Nicolau Nasoni se encontra representada nesta obra: frontões - interrompidos e invertidos - volutas, conchas, grinaldas, folhagens, a par de algumas formas abstractas e de cartelas com inscrições bíblicas, tudo em tratamento escultórico, completa a carga cenográfica que a obra no seu todo transpira. É esta fachada uma das mais opulentas e decorativas em que Nicolau Nasoni concretizou o programa plástico próprio de um artista que teve formação em pintura.
Rua das Flores, 5
4050-265 Porto
+351 222 074 710
+351 222 050 116
partistico@scmp.pt
www.scmp.pt
Segunda a Sexta
9.00-12.30/14.00-17.30
Museu: 1,50 €
500, 906, Metro: Linha D (S Bento)





A sua construção deve-se ao Padre Geraldo Pereira que para o efeito comprou, no ano de 1754, várias casas na Rua de Cimo de Vila.

Começou a ser construída no ano de 1759 e foi aumentada em 1775. A Irmandade de Nossa Senhora do Terço e Caridade foi fundada em 1762.

Desconhece-se o autor do projecto. A igreja era modesta, de uma só nave e não possuía tribunas, como havia sido imposto pelo governo diocesano.

A fachada de granito lavrado é semelhante à da Igreja das Órfãs. Tem um grande óculo ovalado e duas janelas a ladeá-lo. O portal é emoldurado e sobre ele está uma cartela com inscrição. A sua decoração é atribuída a João Joaquim Alão, tem elementos "rocaille".

Interior

A igreja está decorada com estuques semelhantes aos da igreja de Santo Ildefonso.

O retábulo-mor foi entalhado por José Teixeira Guimarães e aí se podem ver as imagens de S. João Evangelista e de Nossa Senhora da Consolação (século XVI), provenientes do extinto Convento dos Lóios.

O risco do retábulo é atribuído ao Padre Joaquim Teixeira Guimarães.

Anexo à igreja existe o Hospital de Nossa Senhora do Terço e Caridade, a funcionar desde o ano de 1781.
Rua Cimo de Vila
4000 Porto
10.00-14.00
Missa: 11.00 (excepto segunda-feira)
Funicular dos Guindais





Paredes meias com a igreja do Convento dos Carmelitas, ergue-se a igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, que é um dos edifícios mais notáveis do rococó portuense, tanto na arquitectura como na talha que lhe molda o interior.
A primeira pedra do templo foi lançada em 29 de Agosto de 1756 e a sua construção estava quase concluída em 1762. O projecto foi da autoria de José de Figueiredo Seixas, pintor e arquitecto, tendo atingido aqui a sua maior expressão como arquitecto. A linguagem proposta para a fachada foi considerada demasiado avançada para época - no varandim que está por cima da porta principal e que o arquitecto queria que atravessasse toda a fachada e se prolongasse ainda sobre a porta da fachada lateral - tendo sido corrigida pelo parecer que os Irmãos requereram a Nicolau Nasoni. Esta varanda em L conferiria à fachada um pendor assimétrico, tónica máxima da expressão rococó.




Exteriormente o templo apresenta duas fachadas. A principal é composta por três andares de grande carácter onde sobressaem as linhas ondulantes dos frontões avançados. A valorização dos elementos estruturais, para criar maior volumetria à fachada através de avanços e recuos, e a sobreposição de decoração vegetalista/naturalista - grinaldas, festões, conchas - o recorte dos nichos e janelas - tornam esta fachada a mais escultórica da cidade. O seu arquitecto distancia-se do espartilho académico, e executa um interessante exercício de criatividade, com um vocabulário ornamental riquíssimo, tirando o máximo partido plástico do granito. No remate, de ambos os lados da cruz, as figuras dos Evangelistas. Nos nichos do andar inferior as imagens dos Santos Elias e Eliseu, provenientes de Itália.
Lateralmente (compõem a fachada os corpos da igreja, capela-mor, sacristia e Casa do Despacho) uma sequência de aberturas rematadas por frontões de formas variadas, levam para esta fachada secundária a expressividade da outra. Os azulejos são da autoria de Silvestre Silvestri executados em 1910, e representam a imposição do escapulário no Monte Carmelo.


Igreja de uma só nave rectangular, e alçados laterais de um só andar, compartimentados verticalmente por pilastras compósitas. Na parte inferior, na espessura dos muros, rasgam-se arcos de volta inteira para receber altares de talha, três de cada lado, dedicados a temas da Paixão. Um tramo mais estreito entre dois largos, recebe um púlpito de cada lado. Por cima, janelas com balcão em talha dourada.

A capela-mor, larga e profunda, é bem iluminada por três janelas altas de cada lado, com belo trabalho em madeira dourada.
A talha desta igreja forma um conjunto notável pela unidade estilística e pela qualidade. Os seis altares laterais - Senhor dos Passos, Ecce Homo, Senhor Coroado, Senhor Preso e Senhor Morto, são atribuídos a Francisco Pereira Campanhã, executados entre 1767-70. O retábulo-mor, uma magnífica peça, foi desenhado e executado pelo mesmo artista em 1773. Assim, toda a talha da igreja do Carmo é da autoria de Francisco Pereira Campanhã, um dos melhores autores do rococó portuense na arte da madeira dourada, em cuja obra se destaca a elegância e o requinte (Natália Marinho Ferreira-Alves).
Rua do Carmo
4050-164 Porto
+351 222 078 400
+351 222 078 401
geral@ordemdocarmo.pt
Segunda
09.00-13.00/ 14.30-18.30
Terça, Quinta e Sexta-Feira
9.00-19.00
Quarta-Feira
9.00-12.00/13.00-17h30
Sábado
9.00-16.00
Domingo
9.00-13.30





É a partir dos meados do séc. XIX que a parte alta da cidade, particularmente a zona envolvente do Largo da Aguardente (Praça do Marquês de Pombal), sofre profundas alterações urbanísticas, com a abertura de novas ruas, construção de muitas habitações que provocarão um significativo aumento da população residente.
Este território distribui-se por 4 paróquias – Santo Ildefonso, Bonfim, Paranhos e Cedofeita, cujas igrejas paroquiais estão “longe”.
A distância e o aumento da população motivaram a criação em 1 de Maio de 1927, de uma nova paróquia que englobou na sua área fracções das paróquias citadas, paróquia que teria a sua sede na Capela da Senhora da Conceição, na Rua da Constituição.
Bem depressa, a capela se tornou exígua para albergar os paroquianos na participação das Eucaristias Dominicais e para os vários serviços paroquiais.

Em 1936, é nomeado o 2º Pároco, Padre Matos Soares, que assumiu a tarefa da construção de um novo templo. Adquirido um primeiro terreno e contactado o arquitecto, o monge beneditino D. Paulo Bellot, foi elaborado o projecto para esse terreno, que era de pequena área não permitindo a construção de um templo que servisse a paróquia.
Depois de muitas dificuldades conseguiu-se comprar o terreno actual, o que levou à reformulação de todo o projecto.

Em 18 de Dezembro de 1938, debaixo de chuva abundante e persistente, realizou-se, com a maior solenidade, a Bênção e colocação da 1ª pedra para a nova Igreja que viria a ser sagrada em 8 de Dezembro de 1947.
Com o empenho e generosidade de toda a comunidade, com muitas centenas de fiéis, gente anónima, ao longo de quase 12 anos (1942 a 1953), fez-se a angariação de donativos e a obra foi paga, num período difícil da 2ª Grande Guerra e do pós-guerra.
A obra custou, segundo os apontamentos deixados por Monsenhor Matos Soares, 7.380.817$66 ( 36.815,36€)
No dia 8 de Dezembro de 2007 celebramos os 60 anos da Dedicação da Igreja com a recuperação de todo o exterior do Templo.

A igreja da Senhora da Conceição, da cidade do Porto, é dos exemplos mais notáveis da arquitectura religiosa portuguesa do século XX. Nela trabalharam arquitectos e artistas de nomeada que conceberam um conjunto arquitectónico onde podemos encontrar uma grande variedade de esquemas decorativos, executados em materiais e técnicas diversificadas.

Da Praça do Marquês contemplamos a monumental fachada em granito, ultrapassado o adro, em calçada portuguesa, entramos num nartex, com acesso por três portas, separadas por colunas em cujos capitéis assentam as imagens de santos portugueses – António, João de Deus, Nuno Álvares Pereira e João de Brito, da autoria de Henrique Moreira.

O vasto espaço das três naves de um revivalismo mourisco, tem naves laterais com retábulos adossados decorados com painéis historiados, de grande tradição portuguesa.
Os frescos de Dórdio Gomes, no Baptistério, de Mestre Guilherme Camarinha correndo na Via Sacra e os de Augusto Gomes no Arco Triunfal e presbitério, misturam-se numa profusão decorativa, com os vitrais das janelas e das capelas laterais onde foram colocadas esculturas de Albano França.
No Presbitério o altar é constituído por um único bloco de mármore negro, encimado por um trono Eucarístico com mármore róseo, e dois púlpitos em pedra de Ançã, da autoria de Mestre Henrique Moreira.
A iluminação interior sai de candelabros de ferro forjado, suspensos do tecto, da autoria do monge beneditino D. Mauro Santos.
No coro alto, situa-se o grande orgão de tubos construído em 1998 pela firma Orgelbau George Heintz-Schiltach. Na torre mais elevada, com o miradouro mais alto da Cidade, o relógio e o carrilhão instalados estabelecem a ligação entre o templo e a população.

A igreja da Senhora da Conceição, projectada inicialmente pelo monge beneditino Paul Bellot, sofreu algumas alterações pelos arq. Rogério de Azevedo, Engs Joaquim Ferreira da Silva e Reis Gonçalves.
Praça Marquês de Pombal, 111
4000-391 Porto
+351 225 072 190
+351 225 072 199
senhoraconceicao@mail.telepac.pt
www.p-conceicao-porto.org
Igreja
Todos os dias
08.00-20.00

Torre
Segunda a sábado
9.00-17.00
Metro: linha D (Marquês)

Missas:
Feriais 08.00/ 10.00/ 19.15
Vespertina: 19.00
Dominicais: 08.30/ 10.30/ 12.00/ 19.00







Largo da Trindade, 115
4000-539 Porto
+351 222 075 989
Segunda a sexta
08.30-12.30/ 15.30-18.30
Sábado
15.00-19.00
Domingo
08.30-13.00/ 16.00-19.00
Metro: A, B, C, D e E
Missas:
Sábado 15.30/ 17.00/ 18.00
Domingo 10.00/ 11.00/ 12.00/ 12.00/ 17.00/ 18.00
Segunda a Sexta 9.00/ 10.00/ 11.00/ 12.15/ 16.00/ 18.00







A Igreja paroquial do Bonfim - dedicada ao Senhor do Bonfim e da Boa Morte -, foi edificada entre os anos de 1874 e 1894, em substituição de uma capela que no local existia desde 1786, a qual, por sua vez, fora antecedida por outra, muito pequena, construída em 1750. Essa primeira capela foi erguida para proteger um cruzeiro, levantado aproximadamente em 1741, no qual estavam esculpidas as imagens de Cristo e Santa Maria Madalena.

A escadaria actual foi construída entre 1805 e 1813, quando já existia a segunda capela.

A planta da igreja é do arquitecto José Geraldo da Silva Sardinha. A frontaria, lateralmente rematada pelas duas torres sineiras, reveste certa grandiosidade de proporções, não obstante a singeleza decorativa.

Apresenta a sobreposição de dois pisos, no primeiro dos quais se abrem uma porta e duas janelas de arcos planos, separados por pilastras toscanas; sobre os arcos vêem-se castelos - o central com a legenda DOMINO IESU DICATA, os laterais com legendas bíblicas:

Do lado esquerdo: - NON EST HIC ALIND NISI DOMUS DEI, ET PORTA COELI

Do lado direito: - CANTATE DOMINO CANTICUM NOVUM, QUIA MIRABILIA FECIT, e as datas da benção (20-8-1882) e acabamento (19-8-1894). Um friso decorado separa este friso do superior que tem três janelas de arcos redondos separados por pilastras jónicas; o janelão central tem balaústres em forma de urna e frontão triangular; os laterais são superiormente decorados por cartelas lisas. A cornija, da qual pende uma série de dentículos, é rematada por frontão triangular, encimado pela estátua da Fé. Ao centro do tímpano, o cordeiro Pascal acompanhado de folhagens.

As torres sineiras (alt. 42,68m) têm, no primeiro piso, portas com óculos sobrepostos, no segundo janelas geminadas e com óculos iguais aos anteriormente mencionados e no terceiro as janelas que mostram os sinos. As torres são rematadas por balaustradas, nas faces, e aos cantos por urnas-pirâmides, e têm coberturas piramidais, de base quadrada, com óculos dos lados.

O interior do templo é simples, mas proporcionado. Nave coberta por abóbada de tijolo, suportada por três arcos firmados em pilastras jónicas. Suporta o coro um arco elíptico. A capela-mor tem abóbada ornamentada com estuques. O retábulo, de gosto neo-clássico, tem painel que representa o Calvário e foi pintado por Júlio Costa.

O Órgão existente no coro foi construído em 1817, por Frei Domingos Varela, para o Mosteiro de S. Bento de Avé-Maria donde veio para a Igreja do Bonfim.

Dos quadros existentes na secretaria da Irmandade do Santíssimo Sacramento do Senhor do Bonfim e Boa Morte tem interesse, para a história local, o retrato de D. Maria N. F. Bahia, pintado por Resende em 1889. Ao fundo, vê-se a capela anterior ao templo actual.

No cemitério, a norte da igreja, há dois cruzeiros de granito, ali colocados em 1869. Um deles é talvez do séc. XV e representa o Senhor da Consolação. Provém da Ramadinha, junto ao Jardim de S. Lázaro. O outro parece seiscentista e tem a particularidade do Crucificado estar com os pés afastados e não sobrepostos. Esteve na Rua do Poço das Patas, no ponto em que principiava a via sacra que concluía na cruz do Bonfim.

Relação dos principais retratos existentes na galeria da Irmandade do Santíssimo Sacramento do Senhor do Bonfim e Boa Morte

- Cardeal D. Américo.

- Abade Manuel Ferreira Coutinho de Azevedo, a quem se deve a construção da actual igreja.

- Conde Ferreira.

- Padre Abílio Cardoso da Cunha, antigo secretário do Bispo do Porto, D. António Barroso.

- Pintor José Teixeira (Teixeira Barreto), monge que conseguiu do papa então reinante o corpo de Santa Clara que existe hoje na Igreja do Bonfim.

- Comendador José Ferreira Baía e sua mãe, D. Maria Ferreira Baía, que custeou as despesas das torres da igreja.

- Retrato representando José Teixeira e duas irmãs.

- António Pinto Osório, grande devoto de Santo Agostinho, que mandou construir uma capelinha na estrada que ligava o Porto a Valongo.
Alameda Claúdio Carneiro
4300-141 Porto
+351 225 899 690





Recolhimento de Órfãs de Nossa Senhora da Esperança

Frente ao Jardim de S. Lázaro, do lado Sul, situa-se a igreja e o Recolhimento das Meninas Órfãs. Foi edificado em terreno da Misericórdia, graças à herança deixada pelo Padre Manuel Passos Castro, tesoureiro-mor da Colegiada de Cedofeita.

Começaram os trabalhos em 1724, executados pelo mestre pedreiro António Pereira, homem experimentado que o Cabido mandara vir de Lisboa, para o desenho das obras da Sé do Porto. Contudo, a falta de verbas atrasou o andamento dos trabalhos, havendo mesmo necessidade de angariar fundos para a continuação destes. Assim, quer o Cabido, quer a Câmara, contribuiram com os reforços convenientes e o edifício, embora incompleto, começou a funcionar, em 1743. Logo de seguida, a Mesa da Santa Casa da Misericórdia deliberou mandar construir a igreja e efectuar outras obras consideradas necessárias.

Na parte oriental, o imóvel é mais antigo e irregular, justamente por ter sido edificado, em diversas fases. Só em 1849 a Misericórdia comprou mais uns terrenos, na Viela do Arrabalde, a fim de construir o muro de vedação.

A igreja, projectada por Nicolau Nasoni, em 1746, só foi concluída em 1763 e sob a orientação dos mestres pedreiros António da Silva e Manuel Álvares Martins. A sua frontaria está enquadrada na fachada principal do recolhimento, a qual havia sido construída entre 1724-1731. Apresenta o esquema clássico: uma só portada, encimada por um nicho, onde está colocada a imagem de Nossa Senhora da Esperança, ladeado por duas amplas janelas, contornadas por molduras ornamentadas. Um pouco acima destas, e no enfiamento da portada e nicho, um óculo, que interrompe o entablamento. Sobre o tímpano, um grande portão emoldurado e partido aos lados. Ao centro, a pedra de armas da Casa Real que o recolhimento, sendo da administração da Misericórdia, tinha o direito de usar. Nos extremos da cornija levantam-se dois castiçais, de granito, e, entre eles, jarras com ramos de flores. Por cima, uma cruz, assenta numa peanha.
Interiormente, a nave é coberta com abóbada de tijolo, tendo três florões estucados.

As paredes são apoiadas, a meio, por pilastras gémeas, cortadas, em cima, por janelas e, em baixo, preenchidas pelos retábulos: à esquerda, Nossa Senhora de Fátima, no camarim, e, em mísulas, S. Francisco Xavier e Santo António; do mesmo lado, ainda, Nossa Senhora das Dores, do séc. XVIII, no camarim, e, em mísulas, S. João Baptista e S. Brás. À direita, no camarim, As Santas Mães, do séc. XVIII. Na pradela, Santo Ovídio. Em mísulas, S. Francisco Xavier e Beato Nuno; do mesmo lado, Sagrado Coração de Jesus, no camarim, e, em mísulas, Santa Rita de Cássia e Santa Teresinha.

Nas pilastras do arco cruzeiro, em mísulas, à esquerda Santa Luzia, do séc. XVIII, e, à direita, Santa Apolónia, também do séc. XVIII.

As paredes da capela-mor, divididas por pilastras, são revestidas de azulejo relevado, amarelo e branco, tendo, em mísulas, à esquerda Santo André e, à direita, S. Gonçalo. Estas imagens são provenientes da capela de Santo André, demolida em 1850.
A abóbada é igual à da nave e tem apenas dois florões, em estuque.

O retábulo-mor, de talha rococó, é composto por um tronco, ladeado de colunas salomónicas, engrinaldadas, tendo ao centro o sacrário, enquadrado por um baldaquino, também de talha. O conjunto é, na sua composição, diferente de todos os outros das mesma época.

No cimo do trono está colocada a imagem da padroeira, Nossa Senhora da Esperança, do séc. XVIII e, em baixo, entre as colunas, à esquerda Santa Madalena e S. José e, à direita, Santa Marta e S. Lázaro.

Do lado direito do altar-mor, uma janela baixa, gradeada, de ferro fundido, que servia de confessionário para as educandas; do lado esquerdo, uma pintura, imitanto o gradeamento da anterior. Encostada a esta janela falsa está uma credência, sobre a qual pousa a imagem de Nossa Senhora do Rosário, a qual primitivamente, se encontrava no actual altar de Nossa Senhora de Fátima.

O coro alto está assente num arco abatido, recortado e laureado, guarnecido por um varandim de grade de madeira, tendo, no centro, um nicho com a imagem de S. Miguel, de madeira, do séc. XVIII.

Na sacristia uma maquineta com um presépio, outras com o Calvário, um arcaz de pau preto, com guarnições metálicas, e um lavabo, de granito, rococó.

No tesouro destaque para um cálice com patena, de prata dourada, séc. XVI, proveniente do Mosteiro de Arouca. No bordo exterior do verso da patena tem uma inscrição: ESTE: CALIZ: MANDOU: FAZER: A DEVOTA: DÕNA: MELICIA: DE: MELO*
De referir, ainda, uma casula branca, bordada a matiz, do séc. XVIII. Noutras dependências, encontram-se cadeiras dos séc. XVIII e XIX, um contador de pau preto, com guarnições de latão recortadas, séc. XVII e um outro, em vinhático africano, com guarnições de ferro forjado e embutidos de marfim, do séc. XVII (Presentemente, estas peças encontram-se no edifício da Santa Casa da Misericórdia).
Avenida Rodrigues de Freitas
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Em 1758 a antiga igreja de Nossa Senhora da Vitória estava fechada ao culto porque as suas estruturas ameaçavam ruína. Por esse motivo desde 1755 que os serviços paroquiais haviam sido transferidos para a capela de S. José, na rua das Taipas, onde se mantiveram até à conclusão da construção da nova igreja. Por iniciativa do bispo do Porto D. Frei António de Sousa (1757-1766), começou-se a reconstrução do templo à volta de 1758, e em 1768 as obras entravam já na fase final (Joaquim Jaime B. Ferreira-Alves). A 5 de Agosto do ano seguinte a igreja era inaugurada.
Durante o cerco do Porto a igreja sofreu danos que obrigaram a nova transferência da paroquial, agora para a vizinha igreja do Mosteiro de S. Bento da Vitória. Em 1874 padeceu ainda um incêndio.
Por esta igreja passaram os melhores artistas da talha rococó portuense: Francisco Pereira Campanhã e José Teixeira Guimarães (Natália Marinho Fereira-Alves). Igreja de uma nave, com capela-mor rectangular e coro alto sobre a porta de entrada.
Fachada de um só pano vertical flanqueada por pilastras emparelhadas. Portal avançado formado por duas colunas de fuste liso e capitel coríntio que sustentam o entablamento rematado por frontão curvo interrompido, abrindo espaço para colocação das armas dos Sousas e Arronches, usadas pelo Bispo do Porto D. Frei António de Sousa. Por cima, um janelão ladeado por dois nichos, apresentando um frontão de linhas sinuosas e interrompido, de grande volumetria, enquanto os frontões dos nichos têm volutas ao centro, seguindo uma forma cristalizada desde o século XVII. O friso do entablamento é composto pela sequência de tríglifos e métopas. A fachada é rematada por um frontão de cornijas ressaltadas e no tímpano a representação do sol.
A cobertura da nave em abóbada de tramos individualizados por arcos torais graníticos, apresenta decoração em estuque. No arranque da abóbada, lunetas. Nas paredes laterais abrem-se arcos para altares em talha, tendo correspondência na parte superior numa janela.
A capela-mor, mais baixa que a nave, é demarcada por arco cruzeiro, de desenho pobre, assente sobre pilastras jónicas e rematado por nicho com a imagem de Nossa Senhora. A cobertura é em abóbada de barrete, com decoração em estuque, e dominada por lunetas laterais.

Na arte da talha que lhe timbra o espaço, respira-se a linguagem do rococó. O retábulo-mor, datado de 1765, é uma peça da autoria de Francisco Pereira Campanhã; sofreu algumas modificações introduzidas por seu filho, o entalhador Damião Pereira de Azevedo em 1780. No painel que encerra a tribuna a representação de Nossa Senhora da Vitória, numa composição do pintor João Glama Stroberle (1708-1792).
Os púlpitos são de José Teixeira Guimarães, que os realizou em 1768. Dele são também os quatro retábulos laterais (1772-1773), e a imponente sanefa rococó sobre o arco cruzeiro.
A bela imagem de Nossa Senhora da Vitória, em retábulo lateral, é obra de Soares dos Reis. O rosto da Virgem, demasiado humanizado, foi substituído por outro executado por mestre santeiro, de linhas mais convencionais de acordo com a sensibilidade popular.
Rua S. Bento da Vitória, 2
4050-542 Porto
+351 222 007 182
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Terça a sexta 09.00-12.00/ 16.00-20.00
Sábado 09.00-12.00/ 14.30-17.00
Domingo 09.00-12.00
Encerra às segundas
Missas:
Terças e quintas 18.30
Quartas 10.00
Sábado 16.00
Domingo 10.30







Data de 1596 a decisão de fundar um mosteiro de monges beneditinos na cidade do Porto. Pouco depois seria lançada a primeira pedra das futuras instalações, em cerimónia presidida pelo bispo do Porto D. Jerónimo de Meneses. Situado no ponto mais alto da freguesia da Vitória, erguia-se o conjunto monástico com a sua cerca, dentro das muralhas medievais da cidade junto à porta do Olival, ocupando terrenos da antiga judiaria. A formação do legado artístico dessa unidade formou-se durante o período de vigência da casa, e tal como as outras congéneres seguiu o mesmo rosário após a extinção das Ordens Religiosas em 1834.
A construção da actual igreja, que substituiu uma primitiva, prolongou-se pelo último quartel do século XVII, sendo solenemente inaugurada no ano de 1707. É um templo de grande monumentalidade, amplo e sumptuoso, com fachada voltada para a Rua de S. Bento da Vitória.
Tipologicamente é uma igreja de planta cruciforme, de nave única e de fachada com nártex. O transepto é bem desenvolvido e iluminado nos topos por duas amplas janelas termais. A capela-mor rectangular tem as paredes laterais rasgadas por três janelas. De cada lado da nave três capelas intercomunicantes que se recolhem em arcos de volta inteira, e com cobertura abóbadada individualizada. Cada capela é sobreposta por um par de janelas.
À entrada da nave o coro alto, com o respectivo cadeiral, e enquadrado por dois órgãos, um dois quais mudo, justificado pela procura de equilíbrio.



O órgão verdadeiro, uma das peças mais emblemáticas de organaria em Portugal, inaugurado na 2001, após cuidadoso restauro pela Firma Pedro Guimarães, que lhe restituiu e melhorou todas as suas potencialidades de órgão ibérico, foi concebido e construído pelo irmão beneditino Frei Manuel de S. Bento entre 1719-22, e mais tarde aperfeiçoado (1783-86) pelo organeiro e músico Frei Domingos de S. José Varela; em 1880, sofreria novo restauro com a intervenção da firma "Santos" de Mangualde.

Todas as coberturas são em abóbada de berço granítica, formando caixotões de diferentes tamanhos, excepto no cruzeiro onde se salienta uma interessante abóbada cilíndrica de arestas, aparentando-se neste aspecto, e noutros, com as igrejas conventuais de S. Lourenço e de S. João Novo, também da cidade do Porto.
A fachada de composição piramidal, levanta-se em quatro andares: no primeiro uma sequência de cinco arcos sobre pilastras, três dos quais dão para o nártex; no segundo, composição de nichos e janelas, rematados por frontões curvos e triangulares. O terceiro andar, de três panos verticais, é dominado por uma ampla janela termal tripartida, para iluminação do coro. O último de um só pano recebe um nicho para a imagem de Nossa Senhora.
Observação atenta justifica o trabalho de talha desta igreja. O retábulo-mor, atribuído ao mestre entalhador Gabriel Rodrigues, foi executado à volta de 1716-19. Insere-se no barroco nacional, onde se salientam as colunas pseudo-salomónicas e as arquivoltas, definindo um trono eucarístico, para exposição do Santíssimo, de grande monumentalidade. O sacrário é ladeado pelas imagens de S. Pedro e S. Paulo. Por cima, nicho com a imagem de S. Bento. Deste mesmo autor são as caixas dos orgãos, varandas e enquadramento de talha, realizados a partir de 1719, aos quais foram introduzidas modificações posteriores em rococó. Os retábulos dos topos do transepto - Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora do Desterro - , já de expressão rococó da escola portuense, foram realizados em 1755 pelos entalhadores José da Fonseca Lima e José Martins Tinoco. No do Santíssimo Sacramento está uma bela imagem de Nossa Senhora da Consolação. Os púlpitos, com grades de pau preto, seguindo o gosto implantado no século XVII, são encimados por docel em talha datado de 1722, também de Gabriel Rodrigues. Sobre os mesmos, as figuras alegóricas da Verdade e do Zelo.
O cadeiral do coro alto, é, entre os congéres, um dos conjuntos mais representativos do país; possui nos espaldares painéis narrativos da vida de S. Bento, em relevo, cuja execução (1716-1719) se deve ao reputado artista bracarense Marceliano de Araújo.
Sobre o arco cruzeiro uma magnífica sanefa rococó datada de 1773.
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A igreja de S. Francisco é dos poucos edifícios medievais que a cidade do Porto ainda conserva, sendo a única igreja gótica. Fazia parte de um convento franciscano, e a sua construção estendeu-se por finais do século XIV inícios do seguinte. O programa arquitectónico medieval seria alvo de intervenções pontuais que não lhe alteraram porém a estrutura. No século XVI constrói-se a capela dos Carneiros, ou do Baptismo de Cristo, mandada fazer por João Carneiro e da autoria de Diogo de Castilho; e no século seguinte constrói-se novo portal principal, já de composição barroca.
Nos séculos XVII e XVIII o seu interior seria totalmente revestido de talha, formando-se uma espécie de caixa de ouro, um dos mais belos interiores barrocos do país. Embora o trabalho de talha não apresente coerência estilística, a grande qualidade que apresenta, fruto das melhores oficinas portuenses, forma um repositório que permite observar a sua evolução, constituindo-se verdadeiro museu de talha dourada da cidade.

Na singela estrutura arquitectónica que apresenta, salientam-se as três naves, sendo a central mais alta que as laterais e com cobertura em duas águas, transepto, ábside e dois absidíolos poligonais, e coro alto. Na fachada principal, que esclarece a sua organização interna por contrafortes escalonados (igual solução é utilizada para reforço do transepto, ábside e absidíolos), pode admirar-se a bela rosácea gótica compartimentada em doze secções por colunelos radiais unidos por arcos. O portal-retábulo do frontispício, acrescento barroco, ergue-se em dois andares, o primeiro assinalado pelas colunas torsas (pseudo-salomónicas) emparelhadas, e o outro por um nicho com a imagem de S. Francisco, ladeado por coluna torsa e consola. Sobre a cornija corre um estilóbato ressaltado, onde repousam consolas e colunas torsas. A rematar frontão duplamente interrompido que enquadra as armas da Ordem. Ao longo da fachada lateral sul corre cornija assente em modilhões. Nesta rasga-se um portal muito simples em três arquivoltas ogivadas, e janelas altas.
As naves são formadas por dez tramos de arcos ogivais que assentam em colunas fasciculadas, quatro dos quais demarcam o coro. No transepto, à direita a capela dos Reis Magos e à esquerda a capela dos Carneiros.

Na visita do seu opulento interior, damos a palavra à especialista da Arte da Talha Portuguesa Natália Marinho Ferreira-Alves:
"Na nave do lado do Evangelho encontra-se a Capela de Nossa Senhora da Conceição ou da Árvore de Jessé cuja talha é da autoria de António Gomes e Filipe da Silva (1718), com a participação do escultor bracarense Manuel Carneiro Adão, a quem caberia a execução da esculturas (1719). A ladear este belo conjunto, acham-se: o retábulo de Nossa Senhora da Rosa, de 1740 (anteriormente designado por Nossa Senhora da Graça) onde se pode admirar a pintura mural dos inícios do século XV, atribuída a António Florentino, pintor régio de D. Joaõ I; e o retábulo de Nossa Senhora do Socorro (antes conhecido por Nossa Senhora do Rosário dos Escravos), de 1743, ambos da autoria do entalhador Manuel da Costa Andrade, segundo risco do arquitecto Francisco do Couto e Azevedo.
Na nave oposta, do lado da Epístola, encontra-se ao centro a Capela de Nossa Senhora da Soledade, um dos mais preciosos exemplares do rococó portuense, obra de Francisco Pereira Campanhã (1764). A enquadrá-lo, dois magníficos retábulos de 1750, da autoria de Manuel Pereira da Costa Noronha: o de Nossa Senhora da Anunciação (antes designado Nossa Senhora da Encarnação) e o dos Santos Mártires de Marrocos.
Estes conjuntos têm um remate condigno no revestimento em talha do tecto da nave central e do transepto, datado de 1732".
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Maio a Setembro
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Encerra dia 25 Dezembro
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O Museu de São Francisco depende da tutela da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto.
É constituído pela Igreja Monumento de S. Francisco que representa o esplendor do Gótico e do Barroco e a Casa do Despacho da autoria do Arquitecto Nicolau Nasoni, com o respectivo Cemitério Catacumbal.
A Igreja - Monumento de S. Francisco está classificada como Monumento Nacional desde 1910.




A igreja da paróquia de S. João da Foz pertencia ao Couto do Mosteiro beniditino de Santo Tirso. O actual edifício sucedeu a um medieval, a outro renascentista, de que restam ainda bons testemunhos no interior da Fortaleza da Foz, a um posterior construído no século XVII, e por último o que hoje se vê que resultou de uma reconstrução do anterior.
De todas essas construções a mais notável foi a "igreja velha de S. João da Foz", obra pioneira no contexto artístico do Renascimento Europeu.
Obra do arquitecto italiano Francisco de Cremona, e patrocinada por D. Miguel da Silva, bispo de Viseu e titular do Couto de Santo Tirso, um verdadeiro mecenas, que vivendo em Roma no início do século XVI, chamaria sobre si a atenção do clima cultural da cidade dos Papas. Regressa a Portugal acompanhado do seu arquitecto privado, encetando entretanto um programa coerente de monumentalização da Foz do Douro, transformando-o num lugar emblemático ao salientar a analogia do porto da Foz com o porto de Óstia. Deste programa renascentista, considerado sem paralelo fora de Portugal (Rafael Moreira), constava também a construção de uma nova igreja paroquial, cuja forma revolucionou a arquitectura religiosa coeva, sendo construída entre 1527-1542, seria poucos anos depois abandonada pela construção da fortaleza da Foz que hoje a encerra.
Era um edifício de uma só nave, com mais de 50 metros, cuja fachada de duas torres se voltava para o mar, e com capela-mor hexagonal, coberta por imponente cúpula semi-circular, que seria visível ao longe por quem se aproximava de terra vindo do mar. Foi referência da arquitectura religiosa coeva europeia.
Entretanto a união dinástica e as consequentes Guerras da Restauração, obrigaram à deslocação da matriz para a capela de santa Anastácia, enquanto os monges beneditinos de Santo Tirso tratavam de construir nova paroquial, em sítio para efeito adquirido, onde se ergue a actual igreja.
Nesta última, resultante de um programa arquitectónico pobre, a larga capela-mor foi construída no primeiro quartel do século XVIII, sendo a cobertura abobadada em caixotões. A nave única é resultante de um compromisso entre os séculos XVII e XVIII.
Construída a capela-mor, iniciram-se no ano de 1728 obras na nave cobrindo-a de abóbada e terminando-se com o levantamento da fachada com as suas torres, obras que foram arrematadas por mestres pedreiros maiatos.
A fachada é de grande austeridade arquitectónica, com portal encimado por frontão curvo aberto, de onde sai um nicho para a imagem de S. João, sobre o qual se desenha frontão curvo. De ambos os lados, nichos com frontões triangulares. Acima do entablamento o remate em frontão curvo sobre frontão sinuoso, e em plano ligeiramente recuado as torres sineiras. A linearidade, simplicidade e o conservadorismo são a tónica dominante desta fachada presa à tradição maneirista.

No interior é notável o conjunto dos 8 retábulos da nave, mas a peça de maior qualidade, a sua verdadeira jóia, é o retábulo-mor, executado em 1734 pelos mestres entalhadores Manuel da Rocha e Manuel da Costa Andrade. O seu projecto foi do insigne artista Miguel Francisco da Silva, homem oriundo de Lisboa e portador de um vocabulário moderno, que havia contribuido para as obras de renovação da Sé do Porto, e que para esta igreja ideou um dos melhores retábulos joaninos do Porto (Natália Marinho Ferreira-Alves). Sugere-se a comparação da cenografia deste retábulo e a sua dinâmica máquina arquitectónica, com o retábulo do Senhor dos Passos, de 1699, onde entram em confronto as duas versões estilísticas da talha barroca - tipo nacional e joanina.
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Terça a sexta 18.30
Sábado 19.00
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O conjunto arquitectónico onde se insere a Igreja de S. Lourenço foi concebido para aí funcionar um Colégio da Companhia de Jesus na cidade do Porto. Lançada a 1ª. pedra em 20 de Agosto de 1573, aqui se instalaram os jesuítas até à sua expulsão em 1759. Posteriormente serviu como espaço monacal para os Eremitas Descalços de S. Agostinho, que aqui viveram até à extinção das Ordens Religiosas em 1832. Logo de seguida foi adquirido pela Diocese do Porto, para aí instalar o Seminário Diocesano. Este último usufrutuário mantem em funcionamento na antiga Portaria Comum, no Corredor das Confissões e no Coro da igreja - espaços do Colégio jesuíta - um museu de Arte Sacra e Arqueologia, fundado por D. Domingos de Pinho Brandão. É, sem dúvida, como espaço jesuítico que deve ser encarado.
Um colégio da Companhia de Jesus compunha-se de três áreas distintas, com funções igualmente bem diferenciadas: espaços escolares, área da Comunidade e igreja(Fausto Sanches Martins).
Iniciada a construção no século XVI, segundo projecto do arquitecto jesuíta Silvestre Jorge, as obras de arquitectura prolongar-se-iam até ao início do século XVIII, com a conclusão da fachada da igreja em 1709. O ritmo das obras sofreu alguns reveses, que viriam a ser solucionados com a acção de Frei Luís Álvares de Távora, que a partir de 1614 assume o papel de Fundador. A partir de então, gozando da sua protecção as obras avançam concomitantemente nas três zonas que definem o Colégio, podendo a igreja ser aberta ao culto em 1627, embora não se encontrasse concluída ainda. Para a década de quarenta podem apontar-se o embelezamento da capela-mor com a construção do seu primitivo a retábulo, e da sacristia.
O ciclo de 1690 a 1709 marca a última fase construtiva da igreja, coincidindo a primeira data com o arranque da fachada e a última a sua conclusão, estando já edificada a Portaria Comum do Colégio (1675).
Depois de expulsos os Jesuítas, em 1759, os Eremitas Descalços de Santo Agostinho (vulgarmente conhecidos por Grilos), substituiram toda a talha da igreja pela actual neoclássica, à excepção do altar de Nossa Senhora da Purificação, situado no topo do transepto, do lado do Evangelho.

A igreja é formada por nave com capelas intercomunicantes de ambos os lados, transepto iluminado por duas grandes janelas termais, e capela-mor demarcada por imponente arco triunfal da ordem jónica. Todo o sistema de cobertura é abobadado, destacando-se a abóbada de arestas do transepto, solução que seria repetida noutras igrejas da cidade, e a abóbada de canhão da capela-mor, onde prevalece decoração pétrea de natureza geometrizante, cara ao sistema artístico maneirista de influência nórdica. A fachada, de grande carácter, desenvolve-se em dois corpos, divididos em cinco panos verticais, sendo avançado o pano central para inserção do portal. As duas torres laterais ligeiramente recuadas no plano da fachada, harmonizam-se com esta através de aletas. Do seu erudito programa salienta-se o uso das três ordens Dórica, Jónica e Coríntia, o recurso a frontões curvos, triangulares e interrompidos, e pirâmides. As armas do fundador, no eixo de simetria, salientam a papel do seu mecenas.
O programa construtivo da igreja encontra-se mergulhado num inquestionável clima erudito de síntese entre influências maneiristas nórdicas e italianas.
O altar de Nossa Senhora da Purificação, era capela privativa de uma das muitas Confrarias sediadas na igreja. É da autoria, quanto ao risco, de António Vital Rifarto, e foi executado pelos mestres entalhadores Francisco Correia e António Pereira em 1729-1730. É uma bela peça joanina, marcada pelos recursos figurativos - relevos, anjos, querubins, atlantes - elementos caros a um artista que daria prova do seu vocabulário imagético em composições de outra natureza, nomeadamente em alguns paineis de azulejos do claustro da Sé do Porto.
Largo do Colégio
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Terça a sábado
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Encerra domingos, segundas e feriados





Esta igreja pertenceu a uma comunidade de cónegos - Colegiada de S. Martinho de Cedofeita - sendo por isso uma igreja secular com cabido e presidida por prior. Esta colegiada já existia no primeiro quartel do século XIII, podendo a sua fundação ser muito mais recuada.
Serviu de paroquial até à construção de outro edifício, segundo projecto do arquitecto Marques da Silva, que não viria a ser concluído.

Admite-se ter sucedido a um templo anterior, cuja fundação recuaria ao século VI e estaria relacionado com um milagre de S. Martinho de Tours que provocou a conversão dos suevos. A sustentar esta hipótese estão a inscrição no tímpano da porta ocidental, e os dois capitéis em calcário em que assenta o arco-cruzeiro, que são considerados reaproveitamento de um edifício pré-românico.
Estilisticamente é uma igreja românica com afinidades com a Sé do Porto, balizando-se a sua construção na primeira metade do século XIII (Carlos Alberto Ferreira de Almeida).
Foi alvo de uma reconstituição a partir de 1930 pela Direcção dos Edifícios e Monumentos Nacionais, cujo restauro teve como paradigma um ideal herdado do romantismo, que encarava o monumento como lição de história, monumento como memória (Lúcia Cardoso Rosas).

É uma igreja particular na arquitectura românica portuguesa por ser o único edifício com uma só nave coberta por abóbada de pedra, explicando a presença de densos contrafortes exteriores nas paredes laterais.
Espacialmente é formada por uma nave, e cabeceira quadrangular separada por arco-cruzeiro assente em capitéis calcários.
Na nave, uma abóbada de canhão composta por quatro tramos, e três arcos torais suportados por colunas adossadas com capitéis graníticos de tratamento biselado, técnica corrente na arquitectura religiosa coeva da bacia do Sousa e na Sé do Porto.
A cabeceira compõe-se por dois tramos e os seus muros interiores organizam-se em dois andares, vendo-se no primeiro uma sequência de onze arcadas cegas com colunelos. Por cima, uma fresta de cada lado, cujo arranjo resulta de uma concepção diferente da primitiva.
Possui três portais. O da fachada principal, com três colunelos e arquivoltas, com capitéis de decoração animalista, revela influências coimbrãs. No tímpano, uma inscripção do século XVIII. Sobre o portal uma abertura em arco pleno, sustentado por pequenas colunas.
No portal Norte, lavrado no tímpano um Agnus Dei, são nítidas as influências limosinas, nomeadamente no uso de capitéis sem imposta, tal como na Sé do Porto. O aspecto maciço da fachada ocidental pode ser uma solução diferente da inicial.

Texto-Manuel Joaquim Moreira da Rocha
Dep.Ciências e Técnicas do Património
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A paroquia de S. Nicolau surge na sequência da divisão, efectuada em 1583 pelo Bispo D. Frei Marcos de Lisboa, da única paróquia intramuros em quatro - Sé, Nossa Senhora da Vitória, S. João Baptista de Belomonte e S. Nicolau.
É usada então como igreja paroquial uma ermida existente dedicada ao mesmo patrono, colocando-se debaixo da administração diocesana, e onde se procedeu a ampliações. Posteriormente D. Nicolau Monteiro (Bispo do Porto de 1671-1672), respondendo às pressões dos paroquianos, manda construir a igreja, a qual se mantem, ainda que com alterações introduzidas em 1758 na capela-mor, na sequência de um incêndio.
Erguida no mesmo local da primitiva ermida de S. Nicolau, a primeira pedra foi lançada no dia 6 de Dezembro de 1671 e em 1676 já o edifício era dado como concluído, trabalho que se ficou a dever ao bispo sucessor, D. Fernando Correia Lacerda.
O autor do projecto da fachada, e possivelmente de toda a igreja, foi o Padre Pantalião da Rocha Magalhães, mestre-de-capela da Sé do Porto, e o principal arquitecto do Porto na segunda metade do século XVII (Joaquim Jaime B. Ferreira-Alves).
Edifício muito representativo da arquitectura religiosa portuense de finais do século XVII, insere-se numa corrente de gosto maneirista, embora apresente algumas soluções de tendência barrocas.

Estruturalmente a igreja segue um esquema muito simples de nave única, e capela-mor, resultante da junção de dois rectângulos. Cobertura em abóbada de tramos demarcados por arcos torais que repousam nas pilastras das paredes laterais que avançam do solo ao entablamento. Em cada tramo uma janela alta com balaustrada em madeira entalhada. O arco cruzeiro empresta enquadramento sumptuoso à capela-mor.
Das fachadas exteriores nota para a principal, uma vez que as outras são duma singeleza extrema, apenas vazadas pelas janelas. Aquela, de um só andar, acentua o eixo de verticalidade pelas pilastras toscanas que a percorrem desde o solo ao entablamento sem qualquer interrupção, demarcando três panos verticais. A valorização plástica recai no central onde se insere portal- janelão-nicho-óculo, salientando uma vez mais a verticalidade do frontispício. O portal é ladeado por duas colunas coríntias estriadas e dois quartelões de igual ordem e rematado por frontão aberto para inserção das armas do bispo. Por cima grande janelão enquadrado por urnas. Remata a fachada um frontão de linhas sinuosas. De uma maneira geral esta fachada está de acordo com a descrição da obra efectuada pelo arquitecto Padre Pantalião da Rocha Magalhães, seu autor, no século XVII.
O retábulo-mor foi entalhado no ano de 1760 por José Teixeira de Guimarães, e segundo planta do Frei Manuel de Jesus Maria, é já de influência rococó. Na nave salienta-se o retábulo de Santo Elói, pertencente à Confraria dos Ourives, cujo desenho foi de Francisco Pereira Campanhã, e é datado de 1762. Nele a bela imagem de Santo Elói, padroeiro dos ourives, executada em 1762 pelo escultor portuense Custódio de Sousa Santos.
Rua do Infante D. Henrique, 93
4050-297 Porto
+351 222 004 486
Segunda, quarta a sábado 09.00-12.00/ 16.00-20.00
Domingo 9.00-13.00
Encerra terça
Funicular dos Guindais
Missas:
Quarta, sexta a sábado 19.00
Domingo 09.15







A capela-mor da igreja de S. Pedro de Miragaia, é, ao lado das igrejas conventuais de Santa Clara e de S. Francisco, um dos interiores sacros portuenses em que a talha dourada e policromada toma o espaço, formando uma caixa de ouro.
Gozando pergaminhos de ser esta uma das mais antigas igrejas da cidade, o templo viria a sofrer profundas transformações arquitectónicas nos anos trinta do século XVIII. Assim, e porque a torre sineira e fachada ameaçassem ruína, em 1735 os mestres pedreiros Manuel Ferreira e seu filho Manuel Ferreira da Silva comprometem-se a fazê-las de novo. A fachada que só seria tornada pronta pela intervenção de Salvador Pereira em 1737, continuando as obras no ano seguinte, desta vez, para ser reconstruído o corpo da igreja, em compromisso assumido pelos mestres pedreiros Domingos da Costa, Manuel Martins Valente e Manuel Pereira.
O espaço da igreja é composto por nave, transepto saliente no exterior e capela-mor profunda e mais baixa que o cruzeiro, toda forrada de talha. Nos muros laterais da nave, de notável simplicidade, abrem-se arcos de volta perfeita para colocação de altares e na parte alta tribunas. Sobre estas corre o entablamento que se molda à curvatura do arco. Antes do cruzeiro, de um e outro lado da nave, os púlpitos. Nos topos do transepto janela trevada.

A fachada é formada por três panos verticais demarcados por pilastras que avançam até ao frontão triangular do remate. Sobre o portal frontão interrompido, onde repousa uma ampla janela de perfil irregular, rematada por frontão ondulado. O emblema papal, em grande volumetria, envolvido por volutas e outras formas decorativas completa a leitura do pano central. Nos laterais, acima do entablamento decorativo,uma composição barroquizante de cariz popular. No entablamento da fachada, a arquitrave acusa, na sequência dos panos laterais, um descaimento em arco de circunferência, onde se inscrevem emblemas papais.
Sobre o frontão de remate 4 urnas, e a cruz sobre peanha de frontão ondulante. No tímpano a inscrição: DIVO PETRA DICATA. Ao lado direito da fachada ergue-se em dois andares e em plano ligeiramente recuado, a torre sineira. É uma fachada de composição barroca de sabor castiço.
No final do século XIX, foram o frontispício, bem como o interior da nave revestidos de azulejos.

A capela-mor a partir do arco cruzeiro, é totalmente revestida de talha, onde se encontram expressões artísticas de épocas distintas - nacional, joanino, rococó - embora bem conciliadas (Natália Marinho Ferreira-Alves). O retábulo-mor foi executado em 1724 pela dupla de mestres entalhadores António Gomes e Caetano da Silva Pinto. Recebeu douramento em 1730 e alguns acrescentos em 1755.
Os retábulos colaterais do Senhor da Cana Verde e de Nossa Senhora do Pranto, datam de 1745-1746. O remate do arco da capela-mor encimado por sanefa joanina foi trabalho de José Teixeira Guimarães de 1750.
Em ambas as ilhargas da capela-mor dois belos painéis em relevo cujos temas são o Triunfo da Eucarístia e o Triunfo da Cruz.
O painel da tribuna do altar-mor, onde se representa a Adoração do Santíssimo Sacramento, é atribuído a João Glama Stroberle.
Peça de grande qualidade é o tríptico de origem flamenga, proveniente da extinta Capela do Espírito Santo, cujo tema central é o Pentecostes, e pertença da Confraria. Esta confraria, que já existia em 1405, era composta por homens do mar, tendo a seu cargo a administração da capela e do hospital anexo. Receberam o tríptico por doação no início do século XVI.
No painel central representa-se a descida do Espírito Santo, no volante da esquerda S. João Baptista e o doador, e no da direita S. Paulo.
Largo de S. Pedro de Miragaia
4050-564 Porto
+351 222 007 618
Terça a sábado 15.30-19.00
Domingo 10.00-11.30
Encerra: segunda





No ano de 1758 escrevia-se sobre a igreja de Santa Clara:
É a mais perfeita e asseada deste Reino, toda coberta de talha de ouro, e azul.

A Igreja do Convento de Santa Clara, é o melhor exemplo que se pode apontar numa cidade fortemente timbrada pelo fenómeno do barroco. A Arte da Talha dourada e policromada, é uma das expressões que mais a notabiliza, enfatizando dessa forma a apropriação dos princípios da Reforma Católica (Natália Marinho Ferreira-Alves).
Faz parte de um conjunto de edifícios - igrejas forradas a ouro - em que a madeira entalhada e policromada ocupa todas as superfícies parietais e coberturas do espaço sacro, provocando no crente a evasão sensorial e elevando-o a uma realidade supra-humana. O trabalho de talha da capela-mor e arco cruzeiro é a obra-prima de Miguel Francisco da Silva, arquitecto e entalhador, um dos melhores intérpretes do barroco joanino no Porto.

A fundação do Convento de Santa Clara no Porto teve lugar no dia 28 de Março de 1416, em acto processional de grande solenidade, estando ao lado do Bispo D. Fernando Guerra, o próprio rei D. João I, e os príncipes Fernando e Afonso. Colheu desde a fundação o envolvimento da realeza.
Desta primeira fase são poucos os testemunhos materiais que resistiram.

De tempos mais recentes merece referência o claustro, como construção que revela a assimilação dos princípios mais puros do maneirismo. Em 1667 tratam as monjas da construção do mirante. A transição do século XVII para o seguinte foi ainda assinalada por obras múltiplas nos dormitórios (1707-1715), portaria (com interessante portal de composição barroca) e dois coros.
A partir de 1729 inicia-se o ciclo de transformação da igreja naquilo que hoje se mantem.
O acesso à igreja faz-se lateralmente, como é regra nos conventos femininos, uma vez que do lado oposto à capela-mor se situavam os coros das religiosas. À entrada um pórtico em que se entrecruzam formas tardo-góticas e da renascença, sendo este no exterior o único elemento de algum recorte plástico, no conjunto da austeridade e singeleza revelado pela construção.

O interior é formado pela nave, capela-mor e do lado oposto, os coros alto e baixo, com as respectivas grades de clausura que separavam os contactos entre fiéis e religiosas.
Em 1729, sendo abadessa D. Isabel Visitação, promovem-se obras de pedraria na capela-mor, que visaram sobretudo, aumentar a altura dos muros e do arco triunfal tornando o espaço mais amplo e luminoso. Estas obras foram orientadas pelo arquitecto António Pereira, que na época dirigia transformação paralela na Sé do Porto. Estes mesmos princípios renovadores alastraram em 1732 à nave, demarcando-se a nova altura a partir das tribunas. Uma vez mais a preocupação da luz com a abertura de lunetas por cima das tribunas. Em planta, a igreja mantinha a forma anterior.

A principal transformação foi conseguida não pela arquitectura mas pelo efeito cenográfico da talha e é nesta arte que as monjas polarizam o seu interesse, tornando-se a arquitectura anulada pelo efeito das formas reluzentes do cromatismo da talha e da imaginária que cobrem todas as estruturas interiores.
Em 1730 a obra de talha da capela-mor e arco cruzeiro foi arrematada por Miguel Francisco da Silva. Um programa complexo sob o ponto de vista formal e iconográfico, sendo a banqueta e o sacrário posteriores. O resultado alcançado fazem do artista um vulto maior do barroco portuense, e da igreja conventual de Santa Clara uma das jóias da arte barroca portuguesa, quer pela qualidade estética quer pela coerência de todo o conjunto.
Largo 1º de Dezembro
4000-404 Porto
Segunda a sexta
09.30-12.00/15.30-19.00
Sábado
10.00-12.00/15.30-19.00
Domingo
10.00-12.00
Encerra aos feriados
Funicular dos Guindais
Missas:
Quarta e sexta 18.00
Sábado 19.00 (hora de verão) 18.00 (hora de inverno)
Domingos e feriados religiosos 11.00







Edificada a partir de 1709, por se encontrar em ruínas a primeira igreja, ficou concluída a 18 de Julho de 1739.

A nave é de tipo poligonal em estilo proto-barroco.
Por cima do entablamento ergue-se o nicho do padroeiro.
Tem torres sineiras com dentilhões nas cornijas, rematadas em cada face por esferas e frontões de fantasia.

Guarnecem as paredes azulejos de Jorge Colaço (1932), com cenas da vida de Santo Ildefonso e alegorias da Eucaristia.

Interior

A nave é modesta, com tecto em madeira e estuques ornamentais repetidos nas paredes. Nestas existem dois grandes quadros emoldurados em estilo rococó.

São recentes os altares da entrada.

Os laterais são obras neo-clássicas e os colaterais são de talha rococó.

Bons estuques ornamentais nas paredes e no tecto da capela-mor, aberto em lanterna.

No alto das paredes, duas tribunas com grades entalhadas e douradas.

Retábulo em talha barroca e rococó da primeira metade do século XVIII, com o risco de Nicolau Nasoni (1745).
Praça da Batalha
4000-101 Porto
+351 222 004 366
+351 223 406 192
santoildefonso@hotmail.com
Segunda
15.00-18.00
Terça a Sexta
09.00-12.00/ 15.00-18.30
Sábado
09.00-12.00/ 15.00-20.00
Domingo
09.00-12.45/ 18.00-19.45
Funicular dos Guindais
Missas:
Sábado: 19.00
Domingo: 10.00/ 12.00/ 19.00

GPS 41º 08' 46.21'' N 08º 36' 22.09'' W







No ano de 1680 os oratorianos chegam à cidade do Porto e ocupam como sede a Capela de Santo António, localizada fora das muralhas medievais, e frente à Porta de Carros que era uma das portas mais movimentadas da cidade. Nos terrenos envolventes trataram de imediato de construir instalações próprias para a vivência em comunidade como preceituavam os estatutos, procedendo, para tanto, à delimitação da cerca, erguendo claustro, dormitório, noviciaria, e outras dependências necessárias, servindo para local de culto a capela de Santo António.
Os tempos eram favoráveis aos oratorianos; aumentavam os devotos e consequentemente os recursos económicos, e desde o início para se sediarem na cidade contaram com o apoio régio. Assim, em 1694, resolveram substituir a capela de Santo António por uma igreja de maiores dimensões, aproveitando para capela-mor parte do edifício anterior.
As obras da nova igreja - corpo e fachada - iniciaram-se no dia 5 de Agosto, com o lançamento da primeira pedra, e seguindo um projecto do Padre Pantalião da Rocha Magalhães, mestre-de-capela da Sé do Porto, e o arquitecto mais importante da cidade na 2ª metade do século XVII (Joaquim Jaime B. Ferreira-Alves). As obras decorreram até 1703.
O conjunto construído pela Congregação dos Oratorianos, tornou-se um marco da arquitectura portuense, sendo o maior empreendimento na cidade na transição do século XVII para o seguinte. Dessa unidade notável, que se impôs como pólo de desenvolvimento urbano da zona, resta a igreja. O resto desapareceu na sequência da extinção das Ordens Religiosas no século XIX.
Esta igreja insere-se na tradição maneirista, embora na organização da fachada, em certos pormenores decorativos que nela afloram e ainda no arco cruzeiro, se denote já um gosto que a permite inserir na corrente protobarroca.

Cruz Espacialmente a igreja é formada por capela-mor, nave e pequeno transepto, seguindo uma solução que cristalizará na arquitectura nortenha até meados do século XVIII. Sobre a entrada, na nave, o coro assente em colunas jónicas e arcos rebaixados. A cobertura é abóbadada em tijolo.
Nos topos do transepto, rasgam-se dois portais que seguem a linguagem decorativa do edifício.
O arco-cruzeiro, de grande aparato arquitectónico, acusa a partir de meia altura pilastras estriadas jónicas, que se sobrepõem a outras lisas dóricas. Acima do entablamento, um trabalho em pedra de grande pendor decorativo envolve o nicho com a imagem de Nossa Senhora, e cujas notas dominantes são a volumetria e o movimento.
Sobre este arco-cruzeiro foi colocada uma sanefa em talha de belo desenho rococó. A capela-mor é dominada por um retábulo neoclássico, e a tribuna é encerrada por painel representando a Assunção de Nossa Senhora, da autoria de João Baptista Ribeiro, do século XIX.

A fachada organiza-se em dois andares, sendo o inferior em cantaria com portal encimado por frontão aberto, e no centro um escudo com o monograma da Virgem. De cada lado do portal uma janela rasgada. O andar superior é composto por três panos verticais delimitados por pilastras. Aos cantos pilastras emparelhadas. Três janelas altas, fazem a correspondência directa com as aberturas do piso inferior. É rematada por frontão clássico e no tímpano, em nicho de efeito ornamental, a imagem de Santo António.
Nesta fachada procurou-se uma certa animação entre os jogos de frontões, de várias formas, que rematam as aberturas, e a colagem de uma decoração vegetalista grossa sobre as formas arquitectónicas. A colocação no eixo de simetria de portal-janela-nicho revela já uma organização de tendência barroca.
Mais um edíficio religioso da cidade que resulta de um compromisso entre a tratadística maneirista italiana e nórdica.
Rua Sá da Bandeira, 11
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Segunda a Sexta
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Sábado e Domingo
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No ano de 1592 os Eremitas de Santo Agostinho instalaram-se na cidade, no local denominado por "Boavista", situado intramuros, com a anuência do Bispo do Porto D. Jerónimo de Meneses (1592-1600). Atendendo a que o Porto era uma cidade de passagem ou à qual os religiosos se dirigiam para tratar de variados assuntos, mas porque não possuissem instalações onde se pudessem recolher, eis algumas das razões invocadas pelos Agostinhos para justificar a fundação do Convento de S. João Novo.
Em 1602 por extinção da paróquia de S. João de Belomonte, freguesia onde se situavam os religiosos, recebem a igreja paroquial que passa então a funcionar como igreja conventual. Antes possuiam um simples oratório.
Depois de adquiridos terrenos, só em 1613 dão início à construção das instalações conventuais. As obras de construção de instalações próprias prolongam-se por todo o século XVII e continuam ainda no seguinte, sendo a fachada da igreja apenas concluída em 1779 (Joaquim Jaime B. Ferreira-Alves). Começam as obras pelo dormitório da parte do rio; em 1638 tratavam do claustro, pela mão do mestre pedreiro Valentim Carvalho; em final do século constroem a nova portaria conventual.
A construção da igreja foi uma das derradeiras grandes empresas, uma vez que possuiam local de culto condigno. Só em 1672 lhe lançam a primeira pedra, após demolirem a antiga igreja paroquial para erguerem a nova. As obras arrastar-se-iam:
-1672-1681 - Construção da capela-mor e capelas colaterais;
-1681-1683 - Trata-se da cobertura do cruzeiro;
depois seguem-se os alçados laterais e só no ano de 1726 as obras chegariam à fachada, pela mão dos mestres pedreiros António da Silva, Domingos Pinto e Pedro Pereira.
Embora seja desconhecido o autor do projecto da fachada, traçado entre 1700-1703, uma vez elaborado foi seguido até à construção das duas torres, última campanha no frontispício em 1779.
Nesta igreja terminava o percurso de uma das mais importantes procissões da cidade, a dos Santos Passos, e aí se recolhia a Irmandade que tratava desse acontecimento.


Espacialmente esta igreja segue uma estrutura usual em edifícios congéneres da cidade e fora dela, forma que estava já muito enraízada no início do século XVII. Igreja de planta em cruz latina, com capela-mor rectangular, transepto vincado no cruzeiro, nave ladeada de capelas laterais - neste caso duas de cada lado separadas por pilastras de onde arranca a abóbada - , e coro alto. Sistema de cobertura totalmente abóbadado em pedra granítica, formando caixotões irregulares, e ornados com motivos simples geometrizantes. No cruzeiro abóbada de arestas.
É possivel estabelecer algumas comparações formais e até decorativas entre esta igreja e a igreja de S. Lourenço. Na fachada, a influência do Colégio dos Jesuítas é directa, embora o desenho desta seja mais seco e menos plástico, com menor valorização do claro-escuro. Ergue-se em três planos, sendo os dois primeiros formados por cinco panos. No andar inferior, assente sobre estilóbato, rasga-se ao centro o pórtico enquadrado por duplas colunas que sustentam frontão curvo interrompido, de onde sai uma cartela rematada por frontão triangular, com o coração trespassado por seta - símbolo do amor divino que dominou Santo Agostinho. É ladeado por janelas com frontão curvo. A verticalidade da fachada é assentuada pela elevação do pano central no segundo andar. A coroá-la duas torres enquadram jogo piramidal de frontões curvos interrompidos.
O retábulo-mor, uma bela peça rococó, foi mandado fazer pelo Bispo do Porto, D. António de Sousa (1757-1766), e foi dourado em 1775. A tribuna fecha-se com um painel de João Glama Stroberle (1708-1792), onde está representada a Visão de Santo Agostinho. Na capela lateral, de Santa Rita de Cássia, um retábulo joanino, enquadrado por painéis de azulejos onde se representam passos da Vida da Santa. Os azulejos foram realizados por Bartolomeu Antunes e têm a data de 1741.
Merece referência, ainda, a imagem de Nossa Senhora da Guia, "uma perfeitissima imagem", executada entre 1696-1700 pelo escultor Manuel de Almeida.
Largo de S. João Novo
Porto





O templo actual, situado no Largo denominado do Adro, que comunica com a Rua da Restauração, aberta no segundo quartel do séc. XIX e primitivamente chamada Rua de D. Miguel I, foi começado a construir em 1776. Passou a servir de igreja paroquial da freguesia de Massarelos quando se arruinou a de Santa Maria da Boa Viagem, sede da freguesia até à extinção canónica da mesma. Pertence à confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos, fundada, conforme tradição, em 1394, por mareantes que tinham sofrido tempestade quando regressavam de Inglaterra, e à qual teria pertencido o Infante D. Henrique. Esta confraria possuía grande importância no Porto, desempenhando funções bancárias, comerciais e outras, tendo navios que defendiam a costa quando apareciam piratas argelinos. Em 1741, a esquadrilha da Confraria compunha-se de cinco barcos: «São João da Foz», «Santo António de Lisboa», «São Pedro e São Félix», «Nossa Senhora da Conceição» e «Almas». Tinha também, por concessão régia, o privilégio de ser depositária e fornecedora dos modelos de conhecimentos de bordo.

A igreja actual é dividida em três partes, por pilastras: na parte central, portão com frontão partido, com um nicho, no qual se vê a imagem do padroeiro, S. Pedro Gonçalves Telmo, e duas colunas rematadas com capiteis coríntios. Superiormente, duas janelas laterais e um janelão circular. O entablamento é singelo, com trabalho lavrado rodeando o janelão, que o remata em forma de concha, elemento que remata igualmente as janelas. Aos lados, as torres sineiras rematadas com ornatos em cada face e encimadas por uma cruz de ferro. Entre os campanários e o entablamento têm um relógio. A fachada é guarnecida com azulejos.

Tem uma só nave. A capela-mor e o seu altar são anteriores aos outros altares. Nos colaterais, à esquerda Nossa Senhora de Fátima e, no da direita, S. José. No corpo da igreja, à esquerda Nossa Senhora das Dores e, à direita, S. Cosme; nos outros dois, de época mais recente, à esquerda o Sagrado Coração de Jesus e, à direita, Santo António.

O órgão deve ser do tempo de D. José.

No tesouro da Irmandade existem ainda diversas pratas, entre as quais avulta, pelo seu mérito artístico, uma custódia quinhentista.
Interessante para a iconografia de S. Pedro Gonçalves Telmo é o grande quadro a óleo que esteve colocado na igreja, junto à porta principal, do lado esquerdo, e se guarda hoje na sala das sessões. Representa, ao alto, a Santíssima Trindade: o filho abraça-se a uma cruz, junto à qual a figura da Esperança segura uma âncora, a cujo cabo prende a mão S. Pedro Gonçalves Telmo; em baixo, à esquerda, está pintado um letreiro que diz:

TRIUMPHO
DA GRAÇA
SOBRE A NATUREZA

Ao centro do quadro vê-se um pequeno globo incandescente - O «Fogo de S. Telmo».

Merecem também referência, algumas imagens e o arcaz da sacristia.

Em 1943, ainda a irmandade realizava, no segundo domingo de Maio, a festa a S. Pedro Gonçalves Telmo e nela distribuía o pão do fastio - pão bento, em tempos muito procurado pelos tripulantes dos navios, como remédio contra o enjoo e pelas mulheres grávidas. O pão do fastio ligava-se a milagre atribuído a S. Pedro Gonçalves, quando pregava o dogma da S. Trindade.
O templo que hoje existe é o terceiro e pertence, como os anteriores, à Confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos. O padre Agostinho Rebelo da Costa, na Descrição Topográfica e História da Cidade do Porto, publicada em 1789, designa-a por igreja de S. Pedro Gonçalves.

Do templo anterior, construído depois de 1640, de menores proporções que o actual, subsiste a capela primitiva, construída sobre o rochedo em que possivelmente assenta a capela-mor.
O beneditino Manuel Pereira de Novais referindo-se, no seu Episcopologio, ao templo que no seu tempo existia, designa-o por igreja.

Anos depois sofreu um restauro, sendo a capela-mor decorada, interiormente, com pinturas a fresco, feitas pelo pintor italiano Silvestro Silvestri, ao gosto bisantino.
Largo do Adro
4050 Porto





A primeira pedra do Convento dos Carmelitas foi lançada em Maio de 1619, depois de uma autorização régia de 1616 para se instalarem na cidade do Porto.

Em Junho de 1622, os frades entraram na parte construída. A igreja ficou concluída pouco depois.


Foi alvo de reconstrução profunda à volta de 1730, construindo-se nova capela-mor pelo mestre pedreiro António da Silva.

Dois anos depois são realizadas obras nas abóbadas e noutras partes da igreja.

A fachada actual foi realizada na década de cinquenta do século XVIII, e o seu projecto tem sido atribuído ao arquitecto-pintor Nicolau Nasoni.

Serviu o convento para aquartelamento de um regimento aquando das invasões francesas. Depois da extinção das Ordens Religiosas, em 1834, as dependências conventuais foram ocupadas pela Guarda Municipal e posteriormente pela Guarda Nacional Republicana.

A fachada do templo, conjugada com a da igreja da Ordem Terceira do Carmo, consta de dois andares, flanqueados por duplas pilastras, articulados em três panos verticais.

Esta sequência é demarcada no frontão de remate pelo ressalto da cornija. O andar inferior compõe-se de três arcos que dão acesso a um nártex que antecede a nave, encimados por nichos onde se encerram as imagens de Nossa Senhora do Carmo, S. José e Santa Teresa de Jesus.

O nicho central rompe o entablamento do andar superior. Este é dominado por três janelas, tendo a do meio frontão invertido e volutas. No tímpano as armas da Ordem.A torre sineira ficava do lado direito da fachada. Mudou-se para o lado esquerdo em 1754 por acordo com a Ordem Terceira do Carmo, para construção da sua igreja. Ergue-se em três andares e é coroada por cúpula bolbosa.

No conjunto é uma fachada bem dimensionda, com graciosidade no jogo das aberturas e onde emerge um barroco simplificado.

Espacialmente a igreja é composta por vestíbulo, nave, transepto e capela-mor.

Cobertura abóbadada com sobreposição de apontamentos de talha. No cruzeiro, pequena cúpula. Segue, basicamente, o modelo espacial carmelitano.

A nave única possui três capelas de cada lado, que se recolhem em arcos abertos nos muros. Dois são os púlpitos que antecedem o transepto. Os alçados, em quatro tramos, são bem ritmados por pilastras sobre as quais assenta o entablamento dórico.

No primeiro tramo, sobre a entrada, o coro alto em arco abatido. Os torais da abóbada seguem-se às pilastras, e definem lunetas, encobertas com painéis, e rematadas por bela sanefa. De salientar também a imponente sanefa sobre o arco cruzeiro.

Interior de grande coerência insere-se no gosto rococó quanto ao trabalho de arte da talha.

O retábulo-mor, executado por José Teixeira de Guimarães e seu filho, o arquitecto Padre Joaquim Teixeira de Guimarães, no ano de 1767. Foi considerado uma peça estilisticamente revolucionária, na talha rococó portuense (D. Domingos de Pinho Brandão).

Embora sem suporte documental, mas pelas afinidas de estilo, toda a talha da capela-mor e dos altares laterais são provavelmente dos mesmos artistas.
Rua do Carmo
4050-164 Porto
+351 222 050 279
Segunda a sexta
7.30-19.00
Sábado
8.30-19.00
Domingo e feriados
8.30-13.00/13.30-19.00
Missas:
Segunda a sexta 12.00/ 15.30/ 18.30
Sábado 18.00
Domingo 10.00/ 11.00/ 12.00/ 16.00/ 18.00







O conjunto da Irmandade dos Clérigos, composto por Igreja, Casa dos Clérigos (secretaria e enfermaria) e Torre, é o mais representativo da actividade do pintor-arquitecto Nicolau Nasoni no Porto, cidade onde desenvolve actividade de 1725 até à sua morte em 1773. Proveniente de Itália, depois de ter permanecido em Roma, transporta para a cidade uma linguagem plástica que alastra da pintura à arquitectura, afirmando-se na concepção espacial dos Clérigos portador de uma expressão que ultrapassa de longe o ornamento, e impôndo-se como arquitecto pleno do barroco à romana no contéudo e na forma. A invulgar nave elíptica da igreja, no universo dos outros espaços religiosos da cidade, a par do requintado tratamento dos alçados e sistema de cobertura, justificam a sua mestria na arte de conceber espaços. Soube ainda tirar partido da localização do edifício, colocando a torre sineira traseira na parte mais elevada do local, afirmando-a emblema superior da urbe.
Em 1731 o deão da Sé do Porto, então presidente da Irmandade e protector do artista, encarrega-o de conceber o projecto para instalações próprias, em terreno situado extramuros à velha muralha medieval. A primeira pedra foi lançada no ano seguinte e em 1748 era celebrada pela primeira vez missa com a igreja ainda incompleta, ficando a frontaria terminada em 1750. De seguida construiu-se o edifício para secretaria e enfermaria, concluído em 1759, e por último a Torre, pronta em 1763. Para concretizar o arrojado projecto de Nasoni, estiveram à frente do estaleiro reputados artistas do Porto Barroco: à cabeça António Pereira "insigne na Architectura" e logo de seguida Miguel Francisco da Silva, arquitecto e entalhador, ambos responsáveis por obras que assinaram como criadores e que são verdadeiras cabeça de série do barroco joanino portuense.

A planta fusiforme do conjunto, tem na cota mais baixa a Igreja e no extremo poente a Torre. A unir ambas as construções a Casa dos Clérigos que se exibe em apenas duas fachadas. A espacialidade da igreja define uma nave limitada por dois corpos rectangulares: um profundo ladeado por dois corredores que dão acesso às dependências anexas, e o outro pela fachada.
O frontispício, uma bela composição cenográfica, cuja verticalidade é ainda reforçada pela escadaria, em parte sacrificada no século XIX. Dividido em dois andares, evidencia uma equilibrada composição entre elementos estruturais, vãos e dois nichos (para as estátuas de S. Pedro e S. Filipe Neri), e onde se destaca um repertório luxuriante e dramático caro a um pintor ilusionista: festões, grinaldas, laçarias, fogaréus, tiara e cruz papal. Estes elementos adensam-se no sentido ascencional, sendo o tímpano, demarcado por frontão ziguezagueante, a área privilegiada. Das fachadas laterais destaque para a lançada a norte, uma vez que a sul ficava encoberta pela muralha.

O magnífico retábulo da capela-mor, executado em mármores de várias cores, é pela matéria uma peça singular na cidade do Porto; foi ideado pelo arquitecto Manuel dos Santos Porto, em 1767, concluído em 1780, e introduz-nos já no universo rococó. A completar a leitura deste espaço, e de ambos os lados os orgãos e o cadeiral. A execução do orgão do lado da Epístola foi confiado em 1774 ao organeiro Dom Sebastião Ciais Ferraz da Cunha. Do seu recheio artístico saliente-se ainda o retábulo da Casa dos Clérigos, desenhado em 1762 por José Teixeira Guimarães, e o seu painel em madeira de Nossa Senhora da Assunção, bem como a belissíma peça rocaille da Sagrada Parentela.

A Torre, derradeira construção, completa a leitura do conjunto. É por si só uma obra-prima do barroco internacional, escalona-se em seis zonas, eclodindo na última a linguagem plástica. Aqui, uma varanda oferece-se, ontem como hoje, como varandim para o espectador contemplar a cidade.

Símbolo da cidade barroca, emblema da Porto actual, o conjunto dos Clérigos eleva a arquitectura barroca portuense ao seu melhor.
Rua S. Filipe de Nery
4050-546 Porto
+351 222 001 729
+351 222 001 729
Igreja
08.45-12.30/ 15.30-19.00

Torre
Inverno
10.00-12.00 (última admissão 11.30)/ 14.00-17.00 (última admissão 16.30)

Verão
Todos os dias
09.30-13.00 (última admissão 12.30)/ 14.30-19.00 (última admissão 18.30)

Agosto 10.00-19.00 (última admissão 18.30)
Torre: 2 €
Missas:
Segunda a sexta 11.00 ou 18.45
Sábado 19.00
Domingo 10.30/ 12.00/ 21.30







A capela de S. Sebastião fazia parte de um grupo de oratórios que pertenceram ao Convento dos Grilos e que se erguiam nas ruas por onde era costume passar a procissão do Senhor dos Passos, organizada pelos frades do dito convento.

Com a extinção das Ordens Religiosas, em 1834, as procissões foram suspensas.

O oratório desta capela foi um dos primeiros a ser construído, e ostentava na fachada as armas conventuais.

De todos os que existiram, apenas restam dois, o que já foi mencionado e o da rua de S. Francisco, transferido para a rua Nova da Alfândega, mesmo em frente à Igreja de S. Nicolau.

A capela de S. Sebastião fazia parte de um grupo de oratórios que pertenceram ao Convento dos Grilos e que se erguiam nas ruas por onde era costume passar a procissão do Senhor dos Passos, organizada pelos frades do dito convento.

Com a extinção das Ordens Religiosas, em 1834, as procissões foram suspensas.

O oratório desta capela foi um dos primeiros a ser construído, e ostentava na fachada as armas conventuais.

De todos os que existiram, apenas restam dois, o que já foi mencionado e o da rua de S. Francisco, transferido para a rua Nova da Alfândega, mesmo em frente à Igreja de S. Nicolau.
Rua S. Sebastião
4000 Porto
Funicular dos Guindais





A Sé Catedral sendo o principal edifício religioso da Diocese, afirma-se como centro aferidor de climas estéticos em sucessivas obras de transformação. Essas soluções artísticas irradiam daqui para a área da sua directa influência.
Na prolongada história da Catedral do Porto destacam-se três fases: dos tempos medievais a fundação que lhe definiu os contornos arquitectónicos; dos tempos modernos, a transformação do edíficio condicionada pela reforma católica, fá-la assumir uma imagem coerente onde as artes de interior - talha, pintura, estuque, e outras - são o seu principal discurso; o último, foi no século XX a intervenção controversa dos Monumentos Nacionais, que pretendeu expurgá-la da sua ambiência barroca levando-a ao purismo formal do período que lhe gizara a forma.

As obras da Catedral tiveram início em finais do século XII e prolongaram-se pelo seguinte. À sua fundação não pode ser alheia a conquista de Lisboa, nem ás suas formas as relações comerciais que a cidade estabelecera com a região de Rochelle, onde parece encontrarem-se as raízes das suas influências. Embora a cabeceira actual seja obra do início do século XVII (Bispo D. Frei Gonçalo Morais), a primitiva possuia capela-mor rodeada por deambulatório, com três capelas radiantes e dois absidíolos. Uma cabeceira com charola, como muitas outras da região limosina. Transepto saliente e corpo da catedral em três naves de cinco tramos. Arquitectonicamente resulta de uma simbiose entre soluções românicas e góticas. Estas vísiveis ainda no uso de arcaturas quebradas, nos pilares polistilos, no uso pioneiro do arcobotante, e na rosácea radial da fachada. Esta era ladeada por duas torres, em parte transformadas no século XVIII, como toda a fachada. Deste periodo fundador destaca-se ainda o belo claustro gótico, com acesso directo da nave da igreja.

Profundas transformações são empreendidas no século XVIII pelo Cabido em tempo de Sede Vacante (1717-1741), orientadas pelo arquitecto António Pereira. Desta dilatada e coerente campanha metamorfoseou-se um edifício de estrutura medieval, num interior visualmente barroco. No interior coloca-se novo retábulo-mor executado por Miguel Francisco da Silva, em 1729, cujo risco foi encomendado a Lisboa, e que transporta para a cidade do Porto o vocabulário do barroco joanino, ou à romana. Fazem-se novas caixas de orgãos (1727-1728). Estas formas, mais cenográficas, entendem-se quando se compara a estrutura do retábulo-mor, com os retábulos de madeira do transepto concebidos apenas dez anos anos (1719). À excepção da cabeceira, o edifício foi completamente recoberto com elementos arquitectónicos em gesso, definindo uma espécie de falsa arquitectura, no interior da estrutura medieval (Joaquim Jaime B. Ferreira-Alves). Um interior sacro luxuriante ganhava forma, e completava-se com os imensos retábulos de talha dourada que se encontravam ao longo das naves, subsistindo apenas os do transepto.
É para colaborar nesta transformação da Sé que Nicolau Nasoni chega ao Porto em 1725, na qualidade de pintor de perspectiva, cargo que ocupa até 1731. Subsistem pinturas nas paredes laterais da capela-mor, e na sacristia.

Mas as obras estendem-se ao exterior: transforma-se a fachada ocidental, e dota-se a Sé de nova fachada voltada a norte, a galilé ou loggia, dando ao edifício maior visualidade cenográfica.
O Cabido promove ainda obras nos acessos do claustro gótico para as dependências anexas, embeleza-o com azulejos desenhados por António Vital Rifarto, com temas do Cântico Canticos, e renova a sua sede. Destaca-se o tecto em caixotões da sala de reuniões, com painéis em tela de temática alegórica e moral, pintados em 1719-20 pelo artista italiano João Baptista Pachini.
Terreiro da Sé
4050-573 Porto
+351 222 059 028
+351 222 038 268
Claustros:

Novembro a Março
Segunda a sábado 09.00-12.15/ 14.30-17.30
Domingo e feriados religiosos 14.30-17.30

Abril a Outubro
Segunda a sábado 09.00-12.15/ 14.30-18.30
Domingo e feriados religiosos 14.30-18.30

Igreja:

Novembro a Março
Todos os dias
08.45-12.30/ 14.30-18.00

Abril a Outubro
Todos os dias
08.45-12.30/ 14.30-19.00
Claustro: 3,00 €
Igreja: Gratuito/ Free
Metro: Linha Amarela D (S Bento), Funicular dos Guindais
Missa: 11.00